ENTREVISTA COM SORAYA DE AMORIM

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO LEAIS AO VISCONDE

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ENTREVISTA SORAYA DE AMORIM

  AD: O que a fez regressar ao estatuto de sócia do Sporting?

  S: O meu regresso deve-se a uma promessa que fiz em 2005, ano em que perdemos tudo em apenas uma semana (Campeonato, Taça e a que era então a Taça UEFA): só regressaria a sócia quando houvesse um Conselho Diretivo a comandar os destinos do Clube que representasse verdadeiramente os desejos dos seus associados. E cumpri! Em boa hora o fiz, pois é a única forma de ter voz no que toca à vida do Clube.

  AD: Como é que surgiu a criação do projeto ‘Leais ao Visconde’?

  S: A ideia de criar uma associação surgiu no seio de um grupo de amigos que debatiam amiúde a atualidade do Sporting, no Norte. Durante alguns meses, não passou disso mesmo: uma ideia. Até que decidimos torná-la uma realidade.

  AD: Qual o principal objetivo desta associação?

  S: O projeto Leais ao Visconde é um mar de possibilidades no que a objetivos diz respeito, mas acima de tudo pretende aglomerar todos aqueles que sejam a favor de um Sporting pujante e livre de interesses, tal como Bruno de Carvalho defendeu. Durante os 5 anos e meio da anterior Direção, os sportinguistas viveram um sonho, que foi exactamente o mesmo desígnio de um dos nossos fundadores: ser “um Clube tão grande quanto os maiores da Europa”. Actualmente somos o segundo maior, só o Barcelona está acima de nós. E é por isso que pretendemos continuar a pugnar, defendendo desta forma o legado que nos foi deixado por Bruno de Carvalho, defendendo também os que julgamos ser os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

  AD: Quem quiser juntar-se à associação ‘Leais ao Visconde’ como pode fazer?

  S: Para esse efeito, basta aceder à nossa página oficial www.leaisaovisconde.pt, preencher a ficha de inscrição e devolvê-la através do email socios@leaisaovisconde.pt.

  AD: A Soraya tem frequência em Psicologia. Podemos considerar que o seu gosto pelo mundo do futebol e por uma luta sportinguista foi encutido de uma forma’psicológica’ por Bruno de Carvalho?

  S: A minha paixão pelo mundo do futebol surge ainda andava eu pela mão do meu pai em Alvalade, no velhinho estádio, nas idas aos treinos e aos jogos. Quanto à luta sportinguista, é apenas e só o continuar de uma ideologia que já o meu pai defendia no tempo de João Rocha: um Sporting livre de interesses e que fosse comandado por quem realmente amasse o Clube ao ponto de o querer respeitado e não respeitoso! Bruno de Carvalho apenas defende a ideologia que muitos sportinguistas já defendiam, muito antes sequer de sonharem que poderia existir um Bruno de Carvalho. Em jeito de brincadeira, costumamos dizer, eu e o meu pai, que já éramos “brunistas”, mesmo antes de Bruno de Carvalho aparecer enquanto candidato!

  AD: A Psicologia estuda o tratamento da alma. Considera-se uma sportinguista não de coração, mas de alma?

  S: Sportinguismo não se explica, não se mede…sente-se! E é quase como que uma paixão avassaladora: inclui corpo, alma e coração! Faz o sangue ferver nas veias, o coração palpitar mais rápido e mais forte. Acaba por se tornar o ar que respiramos, do qual dependemos para viver. Eu não tenho outra forma de sentir o Sporting: é por inteiro!

  AD: Bruno de Carvalho é o ‘tratamento’ que é necessário para corromper estes 17 anos sem título de campeão nacional?

  S: Bruno de Carvalho é um líder nato e colocou o Sporting no Rumo Certo. Só no último ano deu 54 dos 55 títulos possíveis aos sportinguistas, sem esquecer que foi quem deu mais lucro, tanto ao Clube como na SAD. Os factos falam por si. O problema do insucesso do Sporting prende-se, acima de tudo, com questões internas, nomeadamente a falta de cultura de exigência e a não defesa dos superiores interesses do Clube por quem o comanda. Já assim o é desde a saída de João Rocha. Obviamente que há também depois todo um conjunto externo de factores que podem contribuir para que o título nos fuja, isso é indiscutível! O “tratamento” necessário estava em marcha há 5 anos. Bruno de Carvalho era o médico e o tratamento, mas parece que há quem prefira continuar hipocondríaco/doente do que tratar-se por completo, mesmo que o médico possa ter a cura e ser algo sui generis! Bruno de Carvalho além de líder nato, é uma pessoa demasiadamente à frente do seu tempo, demasiado irreverente para o futebol português. Quis fazer a limpeza – ou o “tratamento” como diz – demasiado rápido, enfrentando tudo e todos quantos atacavam o Sporting, fez demasiados inimigos no processo, mas fê-lo por amor ao Clube e em nossa defesa. A ideologia, o modelo de gestão eram e continuam a ser exactamente aquilo de que o Sporting necessita.

  AD: Numa votação record em 2017 para o Sporting, Bruno de Carvalho foi reeleito para um segundo mandato com 86% dos votos. O que acha que mudou nos Sportinguistas para um ano depois, ‘o Visconde’ ser destituído?

  S: Como disse anteriormente, Bruno de Carvalho é um líder nato e está muito à frente do seu tempo. O seu carisma arrasta pessoas, mas também incomoda, pois quis abalar toda uma estrutura instalada há décadas no futebol português: desde denunciar os vouchers/corrupção a dispor-se a “aniquilar” todos quantos queriam atacar o Sporting, é só escolher. E isso mexeu com demasiados interesses. Nessa AG de 17 de Fevereiro ele avisou “ou os sportinguistas ficavam do lado dele ou os interesses acabavam com ele”. E assim foi! Também avisou para não verem programas desportivos ou lerem jornais, mas as pessoas chamaram-no de ditador. Hoje, está bem à vista o resultado: tornou-se num alvo a abater pela própria Comunicação Social. E assim tem sido. Tudo o que tenha o nome de Bruno de Carvalho associado é para “matar”, os ditos Leais incluídos. Até mesmo a petição entregue por nós na Assembleia da República a 24 de Outubro de 2018, uma das formas de luta que levámos a cabo e que visava a proibição de magistrados ocuparem cargos de orgãos sociais em clubes desportivos, foi até à data ignorada pelos senhores que comandam os destinos do país. Chegámos a ser chamados para a audição a 9 de Janeiro, pois tendo em conta terem sido reunidas 4450 assinaturas, a referida petição teria de subir a plenário. Aonde já vai o prazo dos 60 dias que a lei prevê? É uma sucessão de ataques, sob todas as formas e o intuito é apenas um: destruir a imagem daquele que foi o melhor presidente de sempre e, consequentemente, a instituição centenária que tanto defendeu. Os poderes instalados não querem um Sporting forte, pois não há espaço para dois grandes na mesma cidade. Lamento que muitos Sportinguistas não tenham estado atentos e que não lhe tivessem dado o exército que ele pediu. Foi uma “lavagem cerebral” sem precedentes e continua a ser, em que até altas figuras do panorama político se vieram pronunciar contra Bruno de Carvalho, mas noutras situações bem mais graves e com outros clubes, fecharam-se em copas. É lamentável! Assim como é lamentável a mentalidade sportinguista continuar a ser estar bem com Deus e com o Diabo, ao invés de defenderem o Clube.

  AD: Bruno de Carvalho no segundo mandato prometeu ser campeão no futebol pelo menos duas vezes. No entanto, isso não aconteceu. Considera que os Sportinguistas se sentiram enganados e por isso ‘expulsaram’ o ex-presidente leonino?

  S: A destituição/ expulsão prendem-se com outros factores, basta que se leiam as respectivas notas de culpa. Havia há já algum tempo um claro braço de ferro entre os jogadores e a Direcção. Penso que talvez se prendesse com o facto de alguns quererem sair após o Europeu e não os deixarem sem que fosse batida a claúsula de rescisão. Mais uma vez, Bruno de Carvalho defendeu os interesses do Clube, desta vez financeiros, e os adeptos preferiram ficar do lado dos jogadores quando o então presidente os chamou de “meninos mimados”. Eu vinha de Madrid, quando caiu o famoso post. Vinha num autocarro repleto de sportinguistas e não houve um que se insurgisse com o que Bruno de Carvalho havia escrito. Porquê? Simples! Era descritivo da dor e mágoa que todos trazíamos no peito, com toda a precisão. JJ parecia-me não ter mão no balneário, os jogadores pareciam estar em campo por favor. Se Bruno de Carvalho não deu o título de futebol sénior aos sportinguistas, garantidamente não foi por culpa sua. Os sportinguistas voltaram-se contra ele graças a uma comunicação social tendenciosa, em que tem feito tudo menos informar e em que escolhe pessoas a dedo para denegrirem ainda mais a imagem do homem que só não deu mais aos sportinguistas porque não lhe era humanamente possível. Dizerem, como muitos de nós ouvimos, que Bruno de Carvalho era o mandante do Ataque a Alcochete. E disseram-no à boca cheia, sem provas…isso sim, foi o que lhe custou a saída da presidência e fez com que a maioria dos sportinguistas lhe voltasse as costas quando ele mais precisava.

  AD: Considera que o ataque à Academia do Sporting foi o ponto de rutura entre Bruno de Carvalho e os adeptos?

  S: Como disse anteriormente, foi justamente o Ataque à Academia que fez com que os sportinguistas lhe voltassem as costas. Mas o ponto de ruptura começa assim que os adeptos batem palmas à volta olímpica dos jogadores no jogo em casa com o Paços de Ferreira.

  AD: Acredita num possível regresso do ‘Visconde’ a Alvalade?

  S: Infelizmente Visconde de Alvalade só houve um e fez parte da fundação do clube. Lamentavelmente já não poderá regressar, e ainda bem porque certamente não ficaria contente com a subversão dos valores e princípios a que o clube foi sujeito desde a sua fundação. Concretamente no que diz respeito ao ataque a Alcochete, acredito que ainda há muito por explicar. Não consigo conceber como é que um juiz diz não haver provas que liguem Bruno de Carvalho ao acto, mas ainda assim o manda para casa sob uma fiança de 70 mil euros! A quem interessava manter a dúvida por mais tempo?! Quer-me parecer que continua a ser esse o intuito. Pergunto: e se Bruno de Carvalho não for a julgamento?! Se for ilibado?! Não será suficiente para fazer cair a AG de destituição, dado que praticamente toda a nota de culpa assentava sobre o suposto envolvimento de Bruno de Carvalho no ataque à Academia?! E se o tribunal der razão a Bruno de Carvalho em relação à AG 23, fruto da tal providência cautelar que gerou um processo em tribunal de primeira instância? A mesma providência cautelar que a comunicação social insistiu em dizer que já não existia, porque haviam caído todas?! Porque mentiram e continuam a mentir aos sportinguistas?! Merecemos e queremos a verdade! Ou acaso acham que não?! É tão simples quanto isto: enquanto tal não suceder, o Sporting ficará cada vez mais desunido. A quem interessa tamanha desunião?! Os sportinguistas que pensem pelas suas cabeças…

  AD: A Soraya é a presidente da associação e a ‘voz’ de Bruno de Carvalho no universo sportinguista. De onde vem toda essa força por esta luta?

  S: A presidência da associação originalmente estava destinada a outra pessoa, mas eu fui digamos que a segunda opção. E quando me propuseram o cargo, não consegui dizer que não. Senti que não podia! Esta luta por um Sporting dos Sócios, se lhe pudermos chamar assim, já vem do meu pai que sempre pugnou por isso, embora que numa realidade sportinguista pré Bruno de Carvalho. Sinto-me como que tendo a missão de continuar o que ele começou há quase 4 décadas atrás, mas desta vez a uma escala bem maior e com responsabilidades acrescidas. De onde vem a minha força?! Vem de um sentimento de gratidão do tamanho do Universo por, graças ao Conselho Directivo liderado por Bruno de Carvalho, eu ter vivido durante 5 anos e meio um Sporting com que eu sempre sonhei: pujante e não amorfo, respeitado e não respeitoso. E também pelo carinho que recebo dos imensos sportinguistas de Norte a Sul do país, que depositam em mim e nos Leais ao Visconde a sua confiança e que também defendem e desejam o regresso de Bruno de Carvalho, por uma ideologia que sabemos que nos traria a tão almejada Glória, pois seria apenas uma questão de tempo. É por eles que luto, também. Não me considero a “voz” de Bruno de Carvalho, mas sim a “voz” de milhares de sócios e simpatizantes do Sporting Clube de Portugal e é por eles que me mantenho na luta, contra tudo e contra todos.

  AD: É uma luta que se compromete a vencer?

  S:  Se dependesse só de mim…. Posso apenas garantir que não gosto de perder e que desistir é palavra que não consta no meu dicionário. Mas também tenho humildade suficiente para reconhecer que sozinha nada sou e nada faço. Precisamos de ser muitos a defender a mesma ideologia e estarmos unidos na defesa de uma só causa. Por isso mesmo foi criada a Associação Leais ao Visconde: para reunir um exército. É preciso que os sportinguistas se mentalizem de que é necessária a tal militância que tantas vezes Bruno de Carvalho pediu. Sem isso, sem mobilização, será uma luta bem mais morosa. Se não lutarmos pelo que amamos, ninguém o fará por nós; sem batalharmos pelas nossas crenças teremos desperdiçado uma oportunidade de vida.

  AD: Como é que idealiza o futuro do Sporting? O que é preciso mudar?

  S: A mentalidade leonina, sem dúvida. Não se pode querer um Clube respeitado quando permitimos que nos espezinhem, que nos subjuguem. Um outro qualquer colosso europeu jamais aceitaria o regresso de jogadores que rescindissem com o Clube. No Sporting, batem-lhes palmas de pé. É surreal! Não podemos permitir que comentadores que supostamente deveriam estar a defender o Clube, estejam horas, dias, a falar mal do sportinguista A ou B. É tempo de deixar de dar audiências a esses programas, pois isso só nos fragiliza. Não podemos continuar a aceitar o estigma do Natal ou do “para o ano é que é”, nem tão pouco compactuar com a falta de exigência desportiva. Sem resultados positivos, sem vitórias, ninguém nos vai respeitar! Os atletas recebem fortunas para aguentarem com a pressão dessa exigência. Se não aguentam, não servem para envergar a listada verde e branca que, aonde estiver a representar o clube, é para ganhar. Ponto. Não se pode ganhar sempre?! Facto. Mas daí até não se exigir profissionalismo vai uma grande diferença! O Sporting foi fundado para ser grande, mas a mentalidade sportinguista parece ser de um clube pequeno. Não pode continuar a acontecer! Olhem para trás, vejam a nossa História, o quão grandes já fomos a todos os níveis…Há algum sportinguista que não quisesse fazer regressar essa grandeza?! Para se ser grande, há que pensar grande, exigir em grande. E o Sporting podia ser enorme! Se a mentalidade não mudar, creio que será muito difícil o Sporting voltar a ter a grandeza de outrora…. O futuro do Sporting está apenas e só nas mãos dos sportinguistas. Compete-lhes exigir o clube que realmente desejam.

 

  ASSOCIAÇÃO LEAIS AO VISCONDE

  Website: www.leaisaovisconde.pt

  Telf: 933188754

  NIF: 515355526

  infogeral@leaisaovisconde.pt

  LINK DA ENTREVISTA: 

 

  https://arenadesportiva.pt/2019/05/14/entrevista-a-soraya-gale-bruno-de-carvalho-era-o-tratamento-mas-ha-quem-prefira-continuar-doente/

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